Núcleo do Azeite
Lagar da Lavandeira

Funcionamento do Lagar de Azeite

Funcionamento do Lagar de Azeite

Memórias de um Lagar

Memórias de um lagar

Da azeitona ao azeite

O Núcleo Museológico do Lagar do Azeite de Lavandeira, concelho de Carrazeda de Ansiães, elucida-o(a) sobre estas e muitas outras questões relacionadas com a cultura da oliveira e as formas tradicionais utilizadas ao longo dos séculos para produzir o azeite.

A União de Freguesias de Lavandeira, Beira Grande e Selores com o apoio institucional da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, criaram o primeiro núcleo temático do Museu da Memória Rural que, centrado no “edifício mãe” situado na aldeia de Vilarinho da Castanheira, pretende polarizar o território concelhio num projecto que integrará núcleos museológicos susceptíveis de reabilitarem, num discurso museográfico e com recurso a sistemas multimédia, técnicas e tradições actualmente extintas, mas que até há algumas décadas atrás integravam de forma viva e partilhada a cultura rural que define este território, parte dele classificado pela UNESCO como Património da Humanidade, enquanto Paisagem Cultural Evolutiva e Viva.

No núcleo do Lagar de Azeite de Lavandeira trabalha-se apenas a temática do azeite, abrangendo as tradições associadas aos trabalhos agrícolas da cultura da oliveira e às técnicas de produção do precioso produto alimentar, desde sempre usado como tempero, mas com outras e diversificadas aplicações que vão da iluminação, cosmética, até à produção de sabão.

Todo o processo começa na apanha da Azeitona. Esta era uma das fainas agrícolas que mobilizava um maior número de trabalhadores em Trás-os-Montes. Os jornaleiros eram geralmente recrutados fora da povoação e vinham em ranchos trabalhar longas horas, numa altura do ano em que as condições climatéricas eram bastante adversas.

A estes trabalhos sazonais está ainda associada uma memória das pessoas mais idosas que viveram esta realidade, uma memória que urge preservar para uma melhor caracterização da cultura rural destas povoações. É esse o objectivo presente e futuro desta unidade museológica.

Este não é, portanto, um trabalho acabado. É apenas o início de um caminho de recolha, estudo, tratamento, valorização e divulgação das particularidades culturais de um povo, de uma gente anónima que se identifica a partir da sua memória colectiva, ou seja, a partir de um conjunto de manifestações cuja raiz mais profunda se alimenta numa longa e reminiscente história.

Fazer o azeite não é uma tarefa fácil. Desde que a azeitona chegava ao lagar existia um conjunto de procedimentos muito bem definidos para que o labor que ocupou tanta mão-de-obra e tanto sacrifício na recolha de cada bago, não se escoasse agora para o “inferno”.

Depois de chegada ao lagar, geralmente aos ombros de homens ou pelo carrego de machos e de burros, a azeitona era moída numa mó gigante que rodava graças à força de uma parelha de bois. Obtida a massa primordial, era agora a altura de a enseirar para a espremer até à última gota de líquido, porque “o azeite é como o ouro, sempre assim ouvi dizer”.

Um, dois, três apertos. Agora há a certeza de que não há o mais pequeno resto de azeite nas seiras. Todo o líquido, sangra e azeite, já está no tesouro, onde se vai separar, um para o uso da vida, outro para inundar o “inferno”. É nesta fase que a habilidade e competência do mestre lagareiro se manifestam. Era por isso que utilizava uma palha, geralmente de trigo, improvisada com uma azeitona na ponta para determinar a altura a que se encontrava uma e outro, ou seja, a sangra e o azeite.

A sangra ia para a rua através de um sistema de drenagem a que chamavam inferno; o azeite ia para casa, quantas vezes num odre feito de pele de cabrito, para depois “regar as batatas”, alumiar as noites de breu, cumprir as promessa de uma “ luzinha” no culto ao santo de maior devoção, ou em respeito pelas alminhas dos entes queridos.

Também não se esqueça que da borra de azeite se pode fazer sabão. Um sabão mais ecológico, bom para a pele, dizem, e tão simples de obter que não resistimos em deixar-lhe uma receita para poder experimentar:
1 litro de soda cáustica
Uma remeia de borras
5 ou 6 chávenas de cinza (chávenas das do chá)
E mexer sempre para o mesmo lado.
A soda deita-se de molho em 6 quartilhos de água

Curiosidades sobre o azeite

Sabia que a oliveira é originária da Asia Menor, da Síria ou da Palestina, tendo sido posteriormente expandida para todo o mediterrâneo. Os gregos terão desenvolvido esta cultura que mais tarde foi apreendida, praticada e difundida pelos romanos em toda a Europa?

Sabia que a oliveira é uma espécie vegetal que evoluiu a partir um arbusto mais antigo e selvagem chamado zambujeiro?

A grande expansão da oliveira em Trás-os-Montes terá sido efectuada nas últimas décadas do séc. XVII, estando o olival espalhado por toda a área nos inícios do séc. XVIII?

Sabia que a oliveira acomoda-se a quase todo o tipo de terrenos dentro das áreas com clima do tipo mediterrâneo clássico, até ao limite máximo dos 700 metros de altitude?

Sabe como se fazia o azeite ao longo dos tempos? Neste núcleo existe um conjunto documental gráfico e videográfico que elucidam o visitante sobre todo esse ancestral processo.

Sabia que o azeite além de um produto alimentar com grande valor na dieta mediterrânica tinha também outras aplicações como a iluminação ou a produção de sabão?

Museu da Memória Rural - Núcleo Lagar de Azeite

As origens históricas da oliveira e do azeite

A oliveira foi considerada a mais prestigiada árvore do mediterrâneo, embora se desconheça com exactidão a sua origem no território peninsular. É provável que esta árvore tenha sido trazida pelos Cartagineses, se não mesmo pelos Fenícios, por volta do ano 1050 a.c. ou no sec. I d.c. O que se sabe com alguma certeza é que o seu cultivo foi amplamente difundido pelos romanos que desenvolveram e adaptaram diversos métodos e técnicas de extracção do azeite.

Estas e outras informações mais aprofundadas estão disponíveis num discurso museográfico que o visitante pode fruir no Núcleo do Lagar de Azeite do Museu da Memória Rural.

Visitar

Para visitar contacte a Loja Interativa de Turismo da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães
Terça a domingo – 09h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30
e-mail: lit@cmca.pt

Telf. 278 098 507