Modo de confeção dos tradicionais folares doces e de carne de Carrazeda de Ansiães

Modo de confeção dos tradicionais folares doces e de carne de Carrazeda de Ansiães. O sabe-fazer tradicional de Alice de Deus e Verónica Rebelo – Parambos

Em Carrazeda de Ansiães, e particularmente na aldeia de Parambos, o folar é muito mais do que um alimento: é um símbolo vivo de tradição, identidade e partilha comunitária. A sua confeção, transmitida de geração em geração, preserva técnicas, gestos e segredos que resistem ao tempo, mantendo viva a memória coletiva do lugar.
Entre as guardiãs deste saber-fazer destacam-se Alice de Deus e Verónica Rebelo, que continuam a preparar os folares doces e de carne segundo métodos tradicionais, respeitando os ritmos de confeção e os ingredientes ancestrais. O processo inicia-se com a seleção cuidada dos ingredientes — farinha de trigo, ovos caseiros, azeite, açúcar e fermento — elementos simples que, combinados com experiência, dão origem a sabores únicos.
Snapshot
No caso do folar doce, a massa é trabalhada lentamente, amassada à mão até atingir a consistência ideal. Aromatizada com canela,  aguardente e açucar, ganha uma textura macia e um perfume característico. Após levedar, é moldada em redondo e levada ao forno, onde adquire uma crosta dourada e apelativa.
 
Já o folar de carne revela a faceta mais característica da gastronomia local. A massa, semelhante à do folar doce mas sem ser açucarada, envolve um recheio generoso de carnes — habitualmente enchidos caseiros, presunto e carne de porco — previamente temperados e preparados. A montagem exige perícia: camadas alternadas de massa e carne garantem uma distribuição equilibrada dos sabores. Depois de enrolado, o folar é cozido lentamente em forno caseiro a lenha, permitindo que os nacos das carnes se fundam de forma homogênea com a massa.
 
Mais do que receitas, estes folares representam um património imaterial vivo, onde o gesto manual, o conhecimento empírico e o contexto festivo se entrelaçam. Tradicionalmente associados à Páscoa, os folares são partilhados entre familiares e vizinhos, reforçando laços sociais e celebrando a abundância.
 
O trabalho de Alice de Deus e Verónica Rebelo constitui, assim, um exemplo valioso da salvaguarda das tradições locais. Ao continuarem a confecionar estes folares de forma artesanal, não só preservam receitas antigas, como também perpetuam um modo de vida e uma identidade cultural profundamente enraizada em Parambos e em todas as aldeias do concelho de Carrazeda de Ansiães.
Video:Modo de confeção dos tradicionais folares doces e de carne de Carrazeda de Ansiães. O saber Fazer Tradicional de Alice de Deus e Verónica Rebelo – Parambos
Gravado em:Parambos
Imagem, Montagem e Realização:Ricardo Saavedra
Produção: Museu da Memória Rural

Projeto nº 90

Este vídeo pretende documentar o processo de confeção do Folar de Carne e do Folar Doce. A recolha foi efetuada na aldeia de Parambos por Diana Canelhas, Isabel Lopes e Nelson Tito.

Relacionado:

Registos da Base de Dados associados à categoria "Registo em vídeo"

Registos em vídeo

Mantenha-se informado sobre as iniciativas do Museu da Memória Rural!