No caso do folar doce, a massa é trabalhada lentamente, amassada à mão até atingir a consistência ideal. Aromatizada com canela, aguardente e açucar, ganha uma textura macia e um perfume característico. Após levedar, é moldada em redondo e levada ao forno, onde adquire uma crosta dourada e apelativa.
Já o folar de carne revela a faceta mais característica da gastronomia local. A massa, semelhante à do folar doce mas sem ser açucarada, envolve um recheio generoso de carnes — habitualmente enchidos caseiros, presunto e carne de porco — previamente temperados e preparados. A montagem exige perícia: camadas alternadas de massa e carne garantem uma distribuição equilibrada dos sabores. Depois de enrolado, o folar é cozido lentamente em forno caseiro a lenha, permitindo que os nacos das carnes se fundam de forma homogênea com a massa.
Mais do que receitas, estes folares representam um património imaterial vivo, onde o gesto manual, o conhecimento empírico e o contexto festivo se entrelaçam. Tradicionalmente associados à Páscoa, os folares são partilhados entre familiares e vizinhos, reforçando laços sociais e celebrando a abundância.
O trabalho de Alice de Deus e Verónica Rebelo constitui, assim, um exemplo valioso da salvaguarda das tradições locais. Ao continuarem a confecionar estes folares de forma artesanal, não só preservam receitas antigas, como também perpetuam um modo de vida e uma identidade cultural profundamente enraizada em Parambos e em todas as aldeias do concelho de Carrazeda de Ansiães.