As duas Domus: a gótica e a renascentista
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Resumo
O paaço da cisterna medieval ficou pronto entre 1 de Agosto de 1457 e 2 de Julho de 1460. Mas a sua funcionalidade – a utilitas vitruviana - e a qualidade arquitectónica do edifício, herdado da Idade Média e que sobrepujava a cisterna, não entusiasmavam o novo Duque de Bragança – um precoce renascentista. Foi por isso que, na sua carta de 7 de Janeiro de 1510, D. Jaime, considerando que da casa do concelho, que esta(va) na cisterna, não se podia fazer boa obra por serem as paredes esgonças, ordenou a sua substituição por huma casa de esquadria. Quanto aos vãos, o duque também sabia o que queria, dando indicações precisas. Em conformidade com a sua vontade, abrir-se-iam as janelas de modo que agora se acustuma. Ou seja, era o próprio senhorio da cidade que classificava arquitectonicamente o novo edifício: as janelas, que deviam ser feitas de modo que se agora acustuma, - estamos em 1510 - só podiam ser as de arco redondo, renascentistas, bem perfiladas como as vemos na Domus, e não as do antigo românico, que tinha sido apeado pelo gótico três séculos antes. Mas as que o duque rejeitava mesmo eram as de arco apontado deste estilo ogival, já muito mortiço, que cedia a golpes clássicos desferidos de Florença e Roma, e que madrugavam assim na sua chegada à nossa cidade. Bragança, sorvendo bem cedo estes primeiros impulsos do novo movimento artístico, era, nos alvores do século XVI, conjuntamente com Vila Viçosa, sede do ducado, uma das luzes mais temporãs do Renascimento em Portugal.