"Os Bravos (in)Voluntários do Concelho de Alijó" na Guerra Colonial Portuguesa 25 de Abril: 50 anos, 50 Testemunhos

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Ana Sampaio Monteiro

Resumo

 O concelho de Alijó, território integrante, hoje e ontem, do mundo rural português, coercivamente através da arregimentação militar da sua população masculina jovem, esteve presente no conflito colonial africano, que se arrastou por mais de 13 anos consecutivos. A participação concelhia na guerra, do Ultramar, à época, extemporânea, violenta e longínqua, não tinha ainda sido alvo de investigação e de análise. Apenas se realizara a identificação dos militares mortos em combate, cujas listagens se encontram dispersas por algumas freguesias em memoriais de homenagem. Entre 1961 e 1974, noventa por cento da população masculina de Portugal foi mobilizada para a Guerra Colonial, isto é, cerca de 900.000 homens. Mais de meio século após o início do conflito colonial, o estudo “ 50 Anos, 50 Testemunhos”, traça a realidade político-social, económica, cultural e mental do Portugal agrícola, interior e provinciano do Estado Novo, o de antanho, e constitui um conjunto de memórias vivas, a perpetuar vindouramente. São retratos esclarecedores dos valores e da ideologia do Portugal anterior à Revolução de 25 de Abril de 1974. Os “50 Testemunhos” vivos – banais ou extraordinários - revelam as múltiplas facetas da guerra de um regime, longa e obsoleta, mandada combater pela ditadura de Salazar e de Marcello Caetano. As memórias individuais dos ex-combatentes fazem emergir ao consciente colectivo os dramas e o sofrimento dos que partiam para uma África longínqua e desconhecida e os dos seus familiares que esperançosamente aguardavam o seu regresso. Perscrutar os rostos desses militares à força, escutar a sua voz, as experiências/vivências de guerra, o que no presente ainda os apavora, as analepses, o que está para além das palavras, a dimensão paralinguística da comunicação – as pausas no discurso, os suspiros, o lacrimejar dos olhos, a modificação postural, a linguagem gestual, abriram-nos, igualmente, caminho para uma relação emocional com os entrevistados, não científica, mas complementadora dos resultados estatísticos obtidos. O recrutamento repressivo responsável por mutações dramáticas a curto, médio e longo prazos nas suas organizações psíquicas, físicas, familiares, profissionais, académicas, fez-nos intitular o projecto “Os Bravos (In)Voluntários do Concelho de Alijó”. Iniciado em Março de 2023, haveria de ver o seu término em Abril de 2024, no momento da comemoração do cinquentenário da Revolução de 25 de Abril de 1974, que encerraria o conflito africano. Os 50 anos de longevidade da Revolução constituíram o repto para a reunião de uma amostra de 50 testemunhos da Guerra Colonial.
DOI

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Como Citar
Monteiro, A. S. (2024). "Os Bravos (in)Voluntários do Concelho de Alijó" na Guerra Colonial Portuguesa 25 de Abril: 50 anos, 50 Testemunhos. Revista Memória Rural, 7(7), 222-235. Obtido de https://museudamemoriarural.pt/revistamemoriarural/index.php/revista/article/view/205
Secção
Artigos da Revista Memória Rural nº 7
Biografia Autor

Ana Sampaio Monteiro

Natural de Mocímboa da Praia, Cabo Delgado, Moçambique, é professora do ensino secundário, do quadro da Escola Clara de Resende, no Porto. Possui Mestrado em História Contemporânea, no âmbito de “Minorias Religiosas no Portugal do século XX”, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É licenciada em História pela Faculdade de Letras da mesma Universidade. Integra a equipa do projecto “Entre Tempos”, manuais escolares de História A do ensino secundário, da Porto Editora.Publicou também para a Porto Editora “Exames Resolvidos, 12º ano, História A”. Encontra-se a fazer o levantamento arquitectónico e histórico-social do concelho de Alijó.