Património Azulejar da Linha do Sabor: Os Painéis Figurativos do Pintor Gilberto Renda nas Estações de Sendim, Duas Igrejas e Pocinho
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Resumo
A história da Linha do Sabor é um testemunho antigo da não menos antiga ideia de ligar regiões remotas e impulsionar o desenvolvimento económico através do transporte ferroviário. Resultante do conceito de uma ligação que permitisse o escoamento do ferro extraído em Torre de Moncorvo, os anos finais do século XIX definiram as variáveis do projeto que veio dar origem a este importante empreendimento transmontano. Planeada desde 1887, a Linha do Sabor demorou 35 anos a ser construída, gerando um processo gradual iniciado em 1901, ano em que foi lançado um concurso para a ponte de ferro do Pocinho. O troço Pocinho-Carviçais foi aberto à exploração em setembro de 1911, o e Carviçais a Lagoaça em julho de 1927 e o de Lagoaça a Mogadouro em julho de 1930. O comboio só chegou a Duas Igrejas em maio de 1938. O encerramento da Linha do Sabor ocorreu em 1981 para passageiros e em 1988 para mercadorias. Os setenta e sete anos de história da exploração desta via ferroviária acompanharam as principais mudanças sociais e económicas do país e da região transmontana e duriense ao longo do século XX, testemunhando a importância fulcral do transporte ferroviário na região. Desse passado hoje apenas restam memórias e ruínas, muitas ruínas, quase tudo ruínas. E no meio delas algum património azulejar que urge acautelar e preservar como o último vestígio de uma arte que quase milagrosamente ainda se mantém. Este artigo emerge como um brado, um berro sem fôlego a propósito dos painéis de azulejos figurativos atribuídos ao pintor Gilberto Renda, nas estações de Sendim e Duas Igrejas. Urge fazer alguma coisa para proteger este património! Deixá-lo perder por definitivo é uma irresponsabilidade que os nossos vindouros não compreenderão e muito menos perdoarão.