Das Fragas Nascem as Águas: A Paisagem Transmontana nas Práticas Judaicas Femininas
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Resumo
Este artigo propõe uma reflexão interdisciplinar sobre as práticas femininas de purificação ritual no contexto judaico e criptojudaico de Trás-os-Montes, com especial foco na simbologia da água e na relação entre corpo, território e memória. Partindo da ausência de vestígios materiais de mikvot – infraestrutura utilizada para a imersão ritual em águas puras no judaísmo – na região, argumenta-se que a paisagem, sua rede hidrográfica e infraestruturas associadas, poderão ter funcionado como espaços rituais alternativos, moldado por condições de invisibilidade, repressão e resistência.
Através do cruzamento entre história, antropologia, urbanismo, estudos de género e ecologia, propõe-se uma resignificação da paisagem transmontana, que permite reinterpretar a sua geografia à luz das práticas espirituais femininas judaicas. Este trabalho não procura comprovar a existência física de mikvot, mas propor novas formas de leitura do território, valorizando as tradições orais, os silêncios e transformações forçadas e as memórias que se inscreveram, ao longo das gerações, na paisagem local. Ao reconhecer a centralidade das mulheres na preservação desses rituais, este artigo pretende contribuir para uma compreensão mais plural e sensível da herança judaica em Trás-os-Montes