Das Fragas Nascem as Águas: A Paisagem Transmontana nas Práticas Judaicas Femininas

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Inês Francisca Oliveira
Rui M. Sá

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão interdisciplinar sobre as práticas femininas de purificação ritual no contexto judaico e criptojudaico de Trás-os-Montes, com especial foco na simbologia da água e na relação entre corpo, território e memória. Partindo da ausência de vestígios materiais de mikvot – infraestrutura utilizada para a imersão ritual em águas puras no judaísmo – na região, argumenta-se que a paisagem, sua rede hidrográfica e infraestruturas associadas, poderão ter funcionado como espaços rituais alternativos, moldado por condições de invisibilidade, repressão e resistência. 


Através do cruzamento entre história, antropologia, urbanismo, estudos de género e ecologia, propõe-se uma resignificação da paisagem transmontana, que permite reinterpretar a sua geografia à luz das práticas espirituais femininas judaicas. Este trabalho não procura comprovar a existência física de mikvot, mas propor novas formas de leitura do território, valorizando as tradições orais, os silêncios e transformações forçadas e as memórias que se inscreveram, ao longo das gerações, na paisagem local. Ao reconhecer a centralidade das mulheres na preservação desses rituais, este artigo pretende contribuir para uma compreensão mais plural e sensível da herança judaica em Trás-os-Montes
DOI

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Como Citar
Oliveira, I. F., & Sá, R. M. (2025). Das Fragas Nascem as Águas: A Paisagem Transmontana nas Práticas Judaicas Femininas. Revista Memória Rural, 8(8), 162-181. Obtido de https://museudamemoriarural.pt/revistamemoriarural/index.php/revista/article/view/223
Secção
Artigos da Revista Memória Rural nº 8
Biografias Autor

Inês Francisca Oliveira, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - Universidade de Lisboa

Arquiteta e Doutoranda em Antropologia no ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas -Universidade de Lisboa e Investigadora Colaboradora do CAPP – Centro de Administração e Políticas Públicas.

Rui M. Sá, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - da Universidade de Lisboa e CAPP – Centro de Administração e Políticas Públicas

Antropólogo Ambiental, Professor Auxiliar no ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - da Universidade de Lisboa e Investigador Integrado do CAPP – Centro de Administração e Políticas Públicas.