Trás-os-Montes em publicação: 4 coisas que talvez não saiba sobre o Museu da Memória Rural e a sua próxima revista

Lançamento RMR8

O tempo é um escultor implacável, mas também um elemento que apaga rastos, passagens e memórias. Nas aldeias e montes do nosso interior, o silêncio ameaça ocupar o lugar que outrora pertenceu a saberes ancestrais, técnicas artesanais e narrativas de vida que moldaram a nossa identidade. É precisamente para contrariar esta erosão da memória que o Museu da Memória Rural, uma iniciativa da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, se ergue como o guardião institucional deste legado.

Contudo, este museu não se limita à salvaguarda passiva. Através da Revista Memória Rural, o museu transforma o conhecimento empírico em património científico, oferecendo uma plataforma onde a investigação rigorosa e a tradição oral se fundem. Convidamo-lo a descobrir por que este projeto é um caso raro na curadoria do património em Portugal e como você pode fazer parte deste registo histórico.

1. Um Museu que não cabe entre quatro paredes

Para o Museu da Memória Rural, as paredes de um edifício são insuficientes para conter a riqueza de uma cultura. Por isso, a instituição opera sob o conceito de “Território Musealizado”. Aqui, a galeria é a própria paisagem e a experiência de visita é uma imersão direta nos locais onde a história se desenrolou.

Esta abordagem descentralizada permite preservar a memória “in situ“, mantendo a alma dos espaços intacta. O museu expande-se através de diversos núcleos temáticos estrategicamente localizados:

* Museu Sede (Vilarinho da Castanheira);
* Telheira de Luzelos (onde o barro ganha forma);
* Núcleo do Ferreiro e do Ferrador (um tributo à mestria dos metais);
* Núcleo Lagar de Azeite;
* Núcleo Moinho de Vento;
* Núcleo Moinhos de Rodízio.

Esta rede permite que o visitante — ou o investigador — compreenda o ciclo da vida rural no seu habitat natural, elevando o território de Carrazeda de Ansiães a um palco vivo de memória e identidade.

2. O Rigor da Identidade: Apenas Trás-os-Montes e Alto Douro

Num mundo globalizado, a especialização é uma forma de resistência cultural. A Revista Memória Rural distingue-se pelo seu foco geográfico absoluto, aceitando apenas  artigos cujas temáticas incidam sobre a região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Esta restrição editorial não é uma limitação, mas sim a garantia de uma profundidade científica de uma autenticidade que poucas publicações conseguem atingir. A revista procura especificamente investigadores e colaboradores que desenvolvam a sua atividade nestes domínios do saber, assegurando que cada página contribua efetivamente para o mapeamento cultural da região.

3. Tradição rural, versus tecnologia de ponta

Como gestores de um património digital, os responsáveis do Museu da Memória Rural entendem que as ferramentas modernas são as melhores aliadas da tradição. Este museu é um exemplo destacado de como a alta tecnologia pode servir a memória antiga, criando pontes entre gerações através de meios inovadores.

* Panoramas 360º: Mais do que simples imagens, são registos imersivos que permitem congelar a paisagem no tempo, preservando a perspetiva visual do território para o futuro.
* Base de Dados “Memórias no Território”: O coração digital do projeto, onde recolhas multimédia em vídeo, áudio e fotografia são catalogadas para evitar que o conhecimento empírico se perca.
* Podcast “Diálogos Sobre o Património”: uma extensão auditiva que leva a discussão do património a novos públicos e formatos.

Este contraste entre o tema (a ruralidade antiga) e os meios (o digital) é o que garante que a história não fique guardada numa gaveta, mas permaneça acessível no ecossistema global.

4. A Chamada de artigos para o nono volume da Revista Memória Rural: Como Fazer Parte?

A Revista Memória Rural prepara agora o seu nº 9, e o convite está aberto tanto para participações esporádicas como para colaborações assíduas. Se é um investigador ou um estudioso ou divulgador do património transmontano e duriense, este é o veículo ideal para difundir e imortalizar o seu trabalho.

Para garantir o rigor científico da publicação, o processo de submissão segue normas estruturadas:

1. Consulta das Normas: os autores devem consultar as “Normas de publicação” e a “Norma de citação bibliográfica” oficiais do museu para assegurar a conformidade do texto.
2. Métodos de Submissão: a submissão pode ser feita por via Digital. Pode utilizar a plataforma Open Journal System (OJS), o sistema profissional de gestão de revistas académicas adotado pelo museu. Via E-mail, Enviando os textos em Word e as imagens (comprimidas em ZIP ou RAR) para o endereço principal: revistamemoriarural@gmail.com. Para os ficheiros  mais pesados com material gráfico de alta resolução, utilize plataformas como WeTransfer ou Transferxl.

O prazo final para a submissão de artigos para este volume termina a 15 de outubro de 2026.

Registar a história local e o conhecimento das gentes é um dever cívico e científico. Cada artigo publicado na Revista Memória Rural é uma peça de um puzzle que define quem fomos e quem somos enquanto comunidade. Graças ao empenho do Município de Carrazeda de Ansiães e da sua rede de investigadores, o passado de Trás-os-Montes e do Alto Douro tem neste momento o futuro assegurado.

Ao refletir sobre a história da sua freguesia, que saber ou tradição considera que tem a dignidade necessária para ser preservado para a eternidade nesta publicação? O próximo capítulo da nossa memória coletiva pode muito bem ser escrito por si.

Mantenha-se informado sobre as iniciativas do Museu da Memória Rural!